convite peça teatralOs alunos da 1ª Série do Ensino Médio, turnos manhã e tarde (disciplina Arte), apresentam leitura dramática da peça “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues. A apresentação acontece nesta sexta-feira (13), às 19h, no Núcleo de Arte, Educação e Cultura Darcílio Lima. Entrada franca.

A peça “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, é um marco na história da dramaturgia nacional. A primeira montagem, em dezembro de 1943, deu início ao processo de modernização do teatro brasileiro.

Essa era a segunda peça escrita por Nelson. O autor trabalhava como jornalista, profissão que herdara do pai, e procurava, naquele período, uma fonte de sustento complementar. Seu primeiro trabalho para os palcos, “A Mulher sem Pecado”, tinha como pretensão conseguir o sucesso obtido por outras produções da época, como A Família Lero-Lero, comédia de Raymundo Magalhães Júnior. Embora a peça de Nelson fosse uma obra de valor artístico muito superior à de Magalhães Júnior, ao estrear, em 1942, não obteve a simpatia do público e resultou em fracasso de bilheteria.

Um ano depois, Vestido de Noiva, de estrutura mais complexa, iria revolucionar o teatro brasileiro. A montagem foi realizada sob a direção do polonês Zbigniew Marian Ziembinski, que chegara ao Brasil cerca de dois anos antes. Experiente encenador, Ziembinski deu forma ao texto de Nelson. Seu rigor na encenação, com a exigência de ensaios constantes, levou a concepção brasileira de teatro a novos níveis.

A grande tensão que permeia a peça não se mostra apenas no antagonismo entre Alaíde e Lúcia, mas nas relações conflitantes entre todos os personagens. Nas cenas, a angústia da culpa supera sempre os tons de ternura amorosa com que geralmente são apresentados os laços familiares. As relações de desejo são também relações de ódio.

Um exemplo é a relação entre Lúcia e Pedro, cujo impulso poderia parecer exclusivamente erótico, um desejo cuja realização era impossibilitada pelo casamento entre Pedro e Alaíde. Tendo morrido Alaíde, era de esperar que um se entregasse ao outro imediatamente, mas o mecanismo da culpa atua, o que leva Lúcia a prometer diante do cadáver da irmã jamais ficar com Pedro. Desse conflito se depreende toda uma rede de ambivalências, que nascem também sob o signo do ridículo.

O gênero que, por excelência, incorpora o ridículo da desmesura sentimental é o melodrama moderno. Isso ocorre porque o melodrama parece tentar imitar a catarse da tragédia clássica numa época em que a indignação já não tem lugar. Valores como a honra perderam o significado, numa sociedade em que a dignidade depende de pressupostos materiais.

A peça configura uma crítica cáustica a determinada classe da sociedade carioca. Tal como ressalta o crítico Ronaldo Lima Lins: “Vestido de Noiva movimenta seu drama dentro de um círculo fechado. Ali está uma peça cujos problemas se passam no nível da pequena burguesia, que a aplaudiu e lhe deu notoriedade”. Nessa maneira velada de ação, está o êxito do teatro de Nelson Rodrigues: agradar a sua plateia, ao mesmo tempo em que a insulta.

Estrutura

A representação é dividida em três planos: da alucinação, da memória e da realidade. Há também duas escadas laterais. A peça se desenrola em três atos, cuja relação não é exatamente cronológica, a não ser no plano da realidade, o qual acompanha a degradação do estado de saúde de Alaíde e a aniquilação consequente dos outros dois planos.

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