10534553_836479479696614_3347298989341466663_nBumba-meu-boi é uma manifestação folclórica, patrimônio imaterial cultural que representa, com danças, cantos e encenações, os acontecimentos ligados a vida, morte e ressurreição de um boi. É considerada o auto popular ou dança dramática de maior significação estética e social do folclore brasileiro, em que lendas e símbolos se confundem.

É originado da Casa Grande e da Senzala do Nordeste Brasileiro, quando nas últimas décadas do século XVIII, período colonial, onde o criatório de bovinos era feito por colonizadores com mão-de-obra escravo do negro e do índio.

Nas vilas, fazendas, sítios e engenhos, os cativos fundiram suas tradições africanas a outras europeias do colonizador Português e do Espanhol e Francês. O resultado: uma celebração que tematizava as relações de poder, as condições sociais vividas pelos negros e índio, a religiosidade, o mito do médico, as crendices, as superstições…

A apresentação é extremamente simples, sempre foi feita ao ar livre. Emergiu dos terreiros das fazendas e sítios para os melhores quintais, palcos e praças do Brasil e do mundo. Tem caráter exclusivamente lúdico, com grande ênfase ao aspecto visual e a constante renovação e adaptação do roteiro.

O bumba-meu-boi musicalmente engloba vários estilos brasileiros como os aboios, as canções pastoris, as toadas, as cantigas folclóricas e os repentes. Começa com uma cantoria de abertura, “Rapaziada”. Em seguida uma toada faz a apresentação dos personagens e do boi, que é representado por um homem no interior de uma armação de metal, recoberta de panos e adereços coloridos. O boi dança acompanhado pelos brincantes.

As personagens que acompanham a dança são tipicamente sertanejas. Um rico fazendeiro dono de um boi muito bonito que sabe dançar. Sua filha casa-se com um birreiro e trabalhador da fazenda.  Grávida pede ao marido para que mate um boi mais bonito da fazenda, porque quer comer a sua língua. O marido realiza seu desejo, matando o boi e retirando a língua. Entram em cena os diversos personagens, que tentam curá-lo ou ressuscitá-lo através da ciência e da fé. Após as diversas tentativas de salvá-lo, o boi, enfim se levanta. O fazendeiro celebra a saúde do boi com uma grande festividade. Todos dançam e cantam juntos e despedem-se do público. O acompanhamento é feito com instrumento de percussão.

Este Bumba-Meu-Boi é fruto de pesquisa do professor Evânio Reis Bessa, em 1993, que resgatou músicas de um extinto Bumba-Meu-Boi de Beberibe.  “O Boi Estrela” tinha seus arquivos guardados na oralidade do brincante José Laurindo Cartaxo Filho, “Véi-Zeca” (12 de novembro de 1911 – 15 de março de 1998), desde o tempo do seu pai José Laurindo Cartaxo e do Zé Botão, fundadores e primeiros animadores deste boi, na última década do século XIX. Os textos são de autoria do escritor e dramaturgo cearense de Guaiuba, Manuel Eduardo Pinheiro Campos (11 de janeiro de 1923 – 19 de setembro de 2007).

As músicas de José Cartaxo Filho e o texto de Eduardo Campos constituem-se um simbiótico roteiro adaptado, que é apresentado tradicionalmente pelo “Grupo de Tradições Folclóricas do Colégio Cascavelense” dirigido por Aécio de Souza Chaves, e elencado por alunos do primeiro ano do ensino médio, nas festividades do Dia do Folclore, no mês de agosto, desde 1993.

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